“Eu jogo para descansar”, conta o tetracampeão brasileiro de matemática

Superação. A palavra que resume a vida de Ricardo Oliveira, 22 anos, tetracampeão das Olimpíadas Brasileiras de Matemática, foi também o tema do seu bate-papo com os participantes da Campus Party Brasil 2012.

Natural de Várzea Grande, no Ceará, ele nasceu com uma doença neurológica que afeta a medula espinhal e enfraquece os músculos. Apesar das dificuldades do dia a dia em uma cadeira de rodas, Ricardo assume estudar como um verdadeiro nerd. Superando todos os obstáculos, ele conseguiu ser homenageado por seu desempenho no concurso nacional até pelo ex-presidente Lula.

Confira abaixo o bate-papo tecnológico do Softonic com Ricardo, que também é medalha de ouro nas Olimpíadas de Astronomia e Astronáutica:


OnSoftware: Você tem algum blog?
Ricardo Oliveira: No Questões Olímpicas, comento perguntas que caem em provas de concursos e vestibulares.

OnSoftware: Que programas marcam presença no seu computador?
Ricardo Oliveira: Uso bastante software livre. Uso o sistema operacional Ubuntu, o navegador Mozilla Firefox e alguns outros programas básicos. No quesito jogos, gosto muito do Torcs, game de corrida de carros.

OnSoftware: Como você concilia os jogos com os estudos?
Ricardo Oliveira: É fácil conciliar quando são jogos que envolvem um certo raciocínio lógico. Pode não parecer, mas a matemática está em todo lugar, inclusive nos jogos. Um problema que tenho é o seguinte: aplico a matemática em tudo o que faço, e aí o pessoal começa a me chamar de “apelão”. Sempre encontro alguma técnica vencedora, alguma estratégia para ganhar – sem quebrar as regras do jogo. Quando já estudei o bastante e estou cansado, costumo parar um pouco para jogar.


OnSoftware: O que é preciso ter para ser autodidata como você?
Ricardo Oliveira: É preciso dedicar um pouquinho do dia ao estudo. A gente deve começar com uns 15 minutos, meia hora, mas nunca passar de três. O que conta não é a quantidade de matéria que você estuda, mas sim o tempo que você passa estudando sem intervalo. Por exemplo, estudar um pouquinho todo dia – todo dia mesmo, de verdade – é mais que suficiente para se tornar autodidata. E o legal é que a gente começa a se sentir bem com isso. É prazeroso.

OnSoftware: Você costuma usar aplicativos de celular?
Ricardo Oliveira: Não tenho muito o costume de fazer ligações constantemente nem de usar aplicativos. Meu celular é um modelo genérico que veio da China.

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