OS X 10.9 Mavericks: iBooks e Mapas desembarcam no Mac

O OS X 10.9 Mavericks finalmente veio à luz e inesperadamente… grátis! E ainda traz duas novidades importantes: Mapas e iBooks, ambos emprestados do iOS.

Depois de colocar as mãos no Mavericks, tentei lembrar qual foi a última vez que a Apple apresentou uma nova versão do OS X verdadeiramente revolucionária em relação à anterior. Na minha opinião, foi a bem sucedida transição do Tiger para o Leopard, em 2007.

Desde então, cada nova versão do sistema operacional parece apenas uma espécie de Service Pack, que melhora um pouco a anterior e acrescenta uns escassos recursos aqui e ali. A atualização do Mountain Lion ao Mavericks respeita essa tendência.

Além da introdução de tags para ordenar conteúdos no Mac e da aba no Finder, o que nós encontramos de realmente novo são o iBooks e o Mapas, dois aplicativos que já existiam no iOS e que foram transportados para o Mac, aproximando ainda mais os dois mundos, que já quase se tocam.

Vamos dar uma olhada mais de perto:

iBooks

Os e-books aterrissaram no Mac. Não que não houvessem outros aplicativos para ler ou organizar livros eletrônicos – como o Calibre e o Kindle -, mas agora a experiência a que os usuários já estão habituados no iOS se transfere para o Mac. Isso significa também o acesso à iBook Store e aos livros multimídia criados com o iBooks Author.

iBooks no Mac OS X 10.9 Mavericks

A chegada do iBooks ao Mac representa um passo importante, principalmente se levarmos em consideração a facilidade de transporte de alguns modelos de notebooks da Apple. O MacBook Air e o MacBook Pro de 13 polegadas, por exemplo, são pequenos e leves, podendo facilmente ser usados como leitores de e-book se você se locomove com muita frequência.

Se você associar o iBooks ao mesmo Apple ID que usa para acessar iTunes Store no iPhone ou iPad, os livros já adquiridos serão sincronizados automaticamente com o Mac. Esse tipo de sincronização (feita via iCloud) agora tornou-se comum nos produtos da Apple e é praticamente instantânea.

Obviamente, o mecanismo funciona também no sentido inverso: ao comprar um livro no Mac, você também o encontrará no dispositivo móvel. Entretanto, neste caso, o download não é automático. A capa do livro aparecerá na biblioteca virtual, mas é necessário clicar para fazer o download. Trata-se de um recurso para economizar espaço em tablets e smartphones, evitando o download automático de livros que você pode querer, por exemplo, apenas no computador.

Para testar o serviço, nós baixamos o livro grátis Steve Jobs’ Agenda no iPad e, quase imediatamente, ele também estava disponível no nosso MacBook Air.

A relação de favoritos e de marcações nos livros também pode ser sincronizada entre os dispositivos. Para ativar este recurso, você precisa ir às preferência do iBooks no Mac e marcar a opção “Sync bookmarks, highlights, and collections across devices”.

Sync bookmarks highlights and collections across devices

A interface do iBooks para Mac é quase idêntica à da versão móvel, o que deixa ainda mais clara a proximidade crescente entre o OS X e o iOS.

Para virar as páginas, você deve tocar no trackpad com dois dedos, como você faz com um livro real. Para obter a definição de uma palavra, basta destacá-la.

iBooks - definições do dicionário

Ao sublinhar um texto, é exibida uma série de ferramentas: um marcador (com cinco cores além da opção de sublinhado), a nota adesiva e a opção “More”, que permite buscar o trecho destacado na web, na Wikipedia ou compartilhá-lo no Facebook, Twitter, por mensagem ou e-mail. Há também a opção “Start Speaking”, para fazer o computador ler em voz alta.

iBooks - marcações e notas

Além disso, também é possível manter abertos mais de um livro ao mesmo tempo, uma ferramenta pensada especialmente para os estudantes que consultam diversas fontes simultaneamente, para se preparar para provas ou escrever um trabalho.

iBooks - 2 livros abertos simultaneamente

Mapas

Usar o Mapas no Mac é muito confortável e esteticamente satisfatório.

O modo Flyover é impressionante. Para ativá-lo, você deve clicar no segundo ícone no canto superior esquerdo da tela do Mapas. Em seguida, ative a visão Satellite e dê zoom em alguma área do mapa (com cidades grandes funciona melhor). Você terá a impressão de estar sobrevoando a cidade num helicóptero, com uma quantidade de detalhes impressionante.

Mapas - Flyover view

Os espaços reservados, que indicam pontos de interesse culturais ou comerciais, são fontes inesgotáveis de informação. Clique num deles, por exemplo, um restaurante, e veja uma série de informações como comentários de clientes, fotos, faixa de preço, horário de funcionamento e muito mais.

Mapas - informação de locais comerciais

Ao clicar em “Get Directions”, o Mapas dá indicações de caminhos para chegar ao destino. Se quiser, você também pode buscar uma rota no Mac e enviá-la ao seu iPhone: basta clicar no botão de compartilhamento (ao lado de Directions) e selecionar “Send to… iPhone”.

Mapas - Send to your iPhone

Tal como acontece no Google Maps, o Mapas também fornece informações de trânsito em tempo real. As linhas tracejadas vermelhas e amarelas são usadas de acordo com a extensão e a gravidade da situação, e o Mapas recomenda os melhores desvios para evitar engarrafamentos.

Mapas - indicação de trânsito em tempo real

As opções de compartilhamento não se limitam ao iPhone: você pode enviar direções via e-mail, por meio do aplicativo de mensagens, com o AirDrop, Twitter e Facebook.

Mapas - opções de compartilhamento

Pequenos passos para frente

O quesito que mais gostamos do Mapas para OS X é a usabilidade. A interface é bastante simples e a navegação pelos mapas, extremamente intuitiva. Se comparamos com o Google Maps, faltam algumas opções, como o planejamento de viagens, mas compensa pela facilidade de uso.

É interessante notar também como o Google Maps e o Mapas da Apple possuem ecossistemas bastante integrados. No caso da firma de Cupertino, há os dois mundos (cada vez mais próximos) do OS X e iOS e um sólido segmento de hardware (Mac, iPhone, iPad e iPod touch). A empresa de Mountain View conecta o Android, o Chrome Book, os Chrome Apps e um mundo inteiro de serviços que crescentemente parecem um só.

E isso é, provavelmente, o que podemos esperar do futuro da tecnologia de consumo: a integração de serviços e uma mistura progressiva entre software e hardware. O “poder de fogo” está mais cada vez mais na mão das empresas e menos na das pessoas. Um destino no mínimo indesejável, mas que é inerente ao sistema econômico ocidental neste momento histórico.

[Artigo original em italiano]

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